Toda semana converso com pelo menos um empresário que já perdeu dinheiro com desenvolvedor errado. Pagou R$ 3.000 num site que nunca ficou pronto. Contratou agência grande, esperou seis meses, recebeu algo que ninguém da equipe sabe mexer. Ou então pegou o sobrinho que "entende de informática" e hoje o site está fora do ar há meses sem ninguém pra resolver.
Não estou aqui pra te vender meus serviços. Estou aqui pra te ajudar a fazer uma escolha que você não vai se arrepender — mesmo que essa escolha não seja eu. Um cliente bem informado é um cliente que constrói reputação no mercado. E reputação é o que move negócio pequeno.
Os 7 sinais de alerta
Antes de fechar com qualquer desenvolvedor — freelancer, agência, indicação do cunhado — passe a conversa por essa lista. Se mais de dois itens batem, pisa no freio.
1. Não consegue mostrar trabalho real, ao vivo, no ar
"Tenho um portfólio com 50 projetos" — beleza, mostra 3 deles funcionando agora. Site no ar, com URL clicável. Se só tem screenshot bonito ou mockup do Figma, é sinal vermelho. Trabalho real tem URL pública.
Para projetos confidenciais (empresas que pedem NDA), o profissional sério explica o que fez sem expor nome ou código. Quem não consegue descrever tecnicamente o próprio trabalho, provavelmente não fez.
2. Promete prazo curto demais sem ver o escopo
"Faço seu site em 3 dias!" — não faz, não. Ou faz mas você vai receber um template genérico do WordPress com seu logo trocado, sem SEO, sem ajustes, sem teste mobile. Quem entrega rápido demais geralmente entrega raso demais.
Profissional sério pergunta: quantas páginas, quais funcionalidades, integra com WhatsApp ou formulário, vai ter blog, precisa rastrear conversões. Só depois disso fala em prazo. Prazo sem escopo é chute.
3. Cobra só pra "ver depois"
Cuidado com o orçamento que mistura tudo num único número grande sem detalhar o que está incluso. "R$ 4.500 e entrego em 30 dias" — mas o que entra nesses R$ 4.500? Hospedagem? Domínio? Quantas revisões? Quem cria os textos? Quem ajusta o conteúdo nos próximos meses?
Proposta séria discrimina. Mostra o que entra, o que não entra, e qual o caminho pra incluir o que ficou de fora.
4. Não te entrega o código (ou nem fala sobre isso)
Pergunta direta: "Quando o projeto acabar, o código é meu?"
Se a resposta hesita ou explica que "fica hospedado conosco e você acessa via painel" — fuja. Você está construindo uma dependência permanente. No dia que quiser trocar de profissional, você não tem o código, não tem o domínio no seu nome, não tem nada.
Profissional sério entrega o repositório (Git), passa as credenciais para o seu nome, documenta como dar manutenção. Você fica dono do que pagou.
5. Não fala sobre SEO nem performance
Site bonito que carrega em 8 segundos no celular é um desastre comercial. 53% dos visitantes mobile abandonam páginas que demoram mais de 3 segundos pra carregar. E sem SEO técnico, seu site simplesmente não aparece no Google — você pagou por um cartão de visitas digital que ninguém vai ver.
Pergunta o seguinte: "Você roda Lighthouse antes de entregar? Qual a meta de PageSpeed?" Se não sabe o que é Lighthouse, é sinal claro de que o trabalho dele para no visual. Performance e SEO são parte do mínimo, não item premium.
6. Some do WhatsApp por dias durante o projeto
Quem responde no mesmo dia antes de fechar contrato e some por uma semana depois que recebeu o sinal — você acabou de descobrir como ele vai trabalhar. Não vai mudar.
Combine no início: qual o canal de comunicação (WhatsApp, e-mail, reunião semanal), qual a janela esperada de resposta, e o que acontece em caso de urgência. Comunicação ruim quebra mais projeto do que código ruim.
7. Não tem contrato nem proposta por escrito
"Combinamos no boca a boca, é mais rápido." Não é. É mais rápido até dar problema — aí você descobre que cada um entendeu a combinação de um jeito.
Proposta escrita protege os dois lados. Define escopo, prazo, valor, forma de pagamento, política de revisões e o que acontece se o projeto for cancelado. Quem se recusa a colocar no papel está te dizendo, na prática: "prefiro não ter onde me cobrar".
4 perguntas que separam profissional sério de promessa vazia
Na primeira conversa (de preferência por chamada de vídeo ou áudio, não só texto), faça estas perguntas. As respostas vão te dizer mais do que o portfólio:
- "Posso falar com 1 ou 2 clientes anteriores?" — Quem tem trabalho bem feito tem cliente disposto a recomendar. Quem não tem, inventa desculpa.
- "Como você lida com mudanças de escopo durante o projeto?" — Resposta evasiva ("a gente vai vendo") é red flag. Resposta clara ("até X% sem custo extra, acima disso entra como aditivo") é profissionalismo.
- "Que tecnologia você usaria nesse projeto e por quê?" — Se a resposta é genérica ("uso o que dá certo") ou se ele cita tecnologias da moda sem justificar, ele não está pensando no seu projeto. Profissional bom justifica a stack em função do que você precisa.
- "O que acontece se eu quiser trocar de desenvolvedor depois da entrega?" — A resposta tem que ser: "Você leva o código, a documentação e as credenciais. Outro dev consegue dar continuidade." Qualquer coisa diferente disso é sinal de que ele está te prendendo.
Dica de ouro: não decida pelo orçamento mais barato nem pelo mais caro.
O barato geralmente esconde escopo cortado, prazo irreal ou um profissional inexperiente cobrando o que cabe na inexperiência. O caro nem sempre garante qualidade — pode ser só intermediação ou estrutura grande pesando no preço final. Decida pela combinação entre clareza da proposta, qualidade do trabalho mostrado e qualidade da comunicação na conversa inicial.
O que esperar de um bom profissional (resumo prático)
- Portfólio com link público — pelo menos 2 ou 3 projetos no ar.
- Proposta escrita e detalhada — escopo, prazo, valor, condições de pagamento e forma de entrega.
- Comunicação consistente — responde dentro do prazo combinado, mesmo que seja só um "recebi, te respondo até amanhã".
- SEO técnico e performance como padrão — não como "pacote premium".
- Código entregue ao cliente — repositório Git, credenciais no seu nome, documentação básica de manutenção.
- Contrato simples mas escrito — protege os dois lados.
- Pós-entrega clara — saber se vai ter manutenção, quanto custa, e o que está incluso.
E quando você ainda assim ficar em dúvida?
Pede um diagnóstico inicial. Profissional bom te explica o que faria e por que faria, mesmo numa conversa de 20 minutos sem compromisso. Se ele só fala em fechar contrato, sem te explicar nada antes — é sinal de que o foco dele é vender, não resolver.
Eu mesmo respondo no mesmo dia, sem cobrar conversa inicial e sem empurrar venda. Se você quer um segundo olhar num orçamento que recebeu, ou só validar se sua ideia faz sentido tecnicamente, me chama no WhatsApp. Se não rolar trabalho comigo, pelo menos você sai mais informado.
Tecnologia para pequeno negócio funciona quando o profissional pensa no seu negócio, não no portfólio dele. Quem inverte isso, entrega projeto bonito que ninguém usa.